Sempre que vou escrever algo penso primeiro no título, hoje quero fazer o contrário, quero escrever tudo que está na minha cabeça e só depois decidir um título. Na verdade deveria viver minha vida através desse conceito, viver primeiro e só depois dar um título.
Estou diferente, minha vida anda diferente. Me sinto estranha, posso dizer que na maioria dos dias estou bem, não posso dizer que estou infeliz, ando vivendo sem analisar muito, somente vivo, mas tem dias que me dá uma angústia, um aperto no peito que não sei explicar. Sinto vontade de gritar, de sair correndo, de largar tudo que estou fazendo. As vezes penso que o problema está em mim, as vezes penso que o problema está nos outros. Na verdade o problema está em todo mundo. Todos têm suas mágoas, suas feridas, algumas já curadas, outras ainda abertas, todos têm seus medos e acima de tudo, todos são egoístas, estão em busca da própria felicidade. Acho justo. E assim vamos, seguindo a vida, numas vezes ferindo, noutras sendo feridos. A vida é uma guerra.
As vezes quero entender tudo, mas não dá. A vida não é pra ser entendida, as coisas simplesmente vão acontecendo, boas ou ruins. E a gente vai sendo levado. Eu queria poder querer, mas preciso aprender a aceitar. Pode ser um pensamento comodista, mas é melhor, é garantia de paz. Mesmo assim a angústia me pega, minha angústia beira o desespero. E são nesses momentos que não sei o que fazer, quero ficar 3 horas debaixo da chuva, quero pegar o primeiro avião pra Timbuktu, quero arrancar a minha pele e os meus olhos, quero fazer alguma coisa para a angústia sumir. São nessas horas que percebo que sou só. Tenho amigos, família, mas no final sou só. Eu trancada dentro da minha prisão chamada corpo. E minha alma fica querendo fugir, sinto ela arranhando, empurrando, desesperada para sair. Reparei que quando estou apaixonada minha alma se aquieta um pouco, ela fica calma por um tempo, é como se o sentimento deixasse minha alma anestesiada. Mas dura pouco, e minha alma volta a se inquietar. Atualmente estou sem paixões, gostaria de me apaixonar, mas ando sem vontade. Estou com preguiça. Quero mesmo é ficar em paz. Não quero ter repentes de desespero. Não mais. Ando cansada.
Muitas pessoas me decepcionaram, e gostaria de perdoá-las, mas não consigo e isso me faz mal, pois o perdão trás paz para quem perdoa. Quero me sentir em paz. Mas só consigo guardar rancor, fico tentando entender o que tenho de errado para estas pessoas terem me ferido tanto. As vezes queria me amar mais, pois dizem por aí que quem se ama, sofre menos. Ninguém tem coragem de ferir alguém que se ama. Só machucam os que não se amam tanto assim...Eu devia ter me apaixonado por mim. Ah se eu pudesse voltar no tempo, tanta coisa seria diferente, talvez eu fosse mais feliz. Mas não se volta o passado, e nem se prevê o futuro. O lance é viver o presente da melhor maneira possível...Estou tentando. Um dia de cada vez, cada dia como se fosse o último.
E finalizo aqui meu texto, sem título nenhum.
Escrito por Angel às 23h17
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