Just a little bit harder
Estou vivendo tempos estranhos. Estou totalmente anestesiada, não sei se isso é bom ou mau. Durmo às 9 da noite, acordo 9 da manhã. Treinei para não parar de respirar. Todo dia tenho que lembrar de respirar. “1,2,3 respira!”. Levanto da cama como um zumbi e ligo o chuveiro. A água cai sobre meu corpo e são nesses momentos que percebo que estou viva. Ainda estou viva. Sou uma sobrevivente. Estou cheia de cicatrizes, pelo corpo todo, pela alma inteira.
Vou. Sem saber direito pra onde, mas vou. Continuo minha jornada. Tem dias que acordo bem, em outros,acordo triste. Tenho vontade de inundar o mundo. Chorar tanto até inundar tudo. Tem dias que corro sem parar, são nesses dias que me sinto viva de verdade, quando sinto minhas pernas doendo, sinto o suor escorrendo. E por incrível que pareça ainda consigo me sensibilizar com algumas coisas, isso é bom, significa que ainda não virei uma rocha. Os pequenos prazeres da vida ainda me dão prazer, ainda me fazem sorrir. Que bom, não estou morta ainda.A vida é assim mesmo. Uns dias felizes, outros nem tanto. Mas prefiro os dias felizes. Sempre.