PARAFERNÁLIAS GATÊSCAS
Eu sou a mulher-gato.
Meu cabelo está malhado porque agora sou um gato malhado, bicolor na verdade, cansei de ser gato preto. Dizem que gato preto dá azar, mas gato preto dá muita sorte. Mas a verdade é que toda vez que caio, caio de pé. E tinha 7 vidas, agora não sei mais, devo ter umas 4.
Eu não gosto de gente que me abraça até sufocar. Eu não gosto de gente que fica me adulando. Eu não gosto de gente que finge que gosta de mim, mas na verdade não gosta. E eu sei quando não gostam de mim. Vejo nos olhos.
Eu ando no escuro, enxergo melhor sabe? Adoro a noite. Eu durmo o dia inteiro e quando o sol se põe eu me arrumo, faço minha maquiagem de gato e saio pela janela. E ando, ando, ando, pelos muros, pelos becos, pela noite inteira. Eu sou antipática como todo gato, mas se eu for com a sua cara posso ser bem bacana. Eu tenho ataques de raiva, tenho vontade de rasgar o sofá inteiro, tenho vontade de arranhar todo mundo que passa. Mas tem horas que eu fico boazinha, deixo até você fazer um cafuné ou durmo enroscada no seu pé.
E quando estou feliz me deito no chão com a barriga pra cima. Não preciso de muito pra ser feliz, só preciso de um bom prato de comida, um cafuné e uma noite enluarada.
Escrito por Angel às 18h25
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