Busco nas palavras, entre soluços, olhos entreabertos, cílios grudados. Nas palavras escritas, nas palavras faladas e nas palavras ouvidas. Busco em noitadas vazias e bêbadas no meio da multidão, solitária. Busco o tempo todo, no momento em que rejeito e no momento em que sou rejeitada. Procuro sob os pés das pessoas, dentro do copo de cerveja, na gota da chuva e no raio de sol. Procuro, sinto, farejo. Quero encontrar, ela me disse que eu procuro sempre errado, ela me disse isso hoje mesmo. Ela me disse que não estou à altura de procurar onde ando procurando. Não tenho dignidade suficiente para isto. “Isso não é pra você”. Por que sonhar assim, por que sofrer tanto, meu amor? Eu acordo procurando, ontem procurei, hoje eu procurei, anteontem procurei, na verdade estou procurando agora mesmo. Têm vezes que penso que encontrei sabe? Tem horas que acredito que vou encontrar. Acredito mesmo. Ela está ali me olhando, não é justo, você está me escutando? Não é justo chorar assim todos os dias. Pra você é fácil, não? O difícil é enxergar e ver que não estou ali. Eu não existo. Nunca existi. E mesmo assim continuo procurando. O tempo todo.
Escrito por Angel às 23h44
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