CONTO.
Lá estava ele controlando cada passo que ela dava. Se ela ajeitava o cabelo, ele achava que era pro rapaz que passou do lado deles, se ela retocava a maquiagem achava que ela estava se arrumando demais e isso significava que ela amava outro, se ela usava alguma roupa provocante ele falava pra ela trocar. Ele a amava mais do que tudo, ela era o tesouro dele, mas as vezes o amor se transforma numa prisão de segurança máxima.
Ela não podia olhar para os lados, não podia ser simpática com mais ninguém, não podia mais sorrir. E ela amava ele também, mas sentia que ele a enlouquecia. Ela abdicou de muitas coisas por ele, mas não pode abandonar sua maior paixão: o tango.
Antes dela conhecê-lo, ia toda semana dançar um tango em um cabaré no centro da cidade. Era a mulher mais cobiçada do cabaré. Não existia um homem não quisesse dançar com ela. Sempre ia de vermelho, prendia seus cabelos loiros num coque e usava um batom vermelho combinando com sua roupa. E como dançava bem, todos a admiravam. E lá ela o conheceu. Sua grande paixão, ao mesmo tempo sua prisão. Ele não gostava que ela fosse ao tango, mas sabia que era a grande paixão dela. Então decidiu sempre ir junto. E era um inferno, ele a vigiava, não deixava ela dançar com ninguém, não deixava ela olhar para a orquestra, ela só podia olhar pra ele, para o seu copo e para a fumaça do seu cigarro. E mesmo assim ele sempre desconfiava, achava que ela tinha paquerado o garçom, que tinha dado uma olhada para o violinista. Ele tinha certeza que ela e o violinista tinham um caso secreto.
A paranóia dele chegou ao ápice quando ele decidiu ir em todos os shows da orquestra de tango do cabaré, mesmo quando sua amada não ia. Em qualquer lugar que fosse. Pedia uma garrafa de cerveja e ficava controlando tudo, olhando para os lados com aquele olhar de louco. E enquanto assistia a orquestra, ligava de 10 em 10 minutos para a casa dela. "Você está aí?". E ela: "sim, meu amor, estou dormindo, não me diga que está no tango?", e ele: "Sim amor, só pra controlar esse violinista". Ela suspirava triste e ia dormir.
Um dia a orquestra foi se apresentar em Buenos Aires. E ele tão louco que estava pegou um avião e também foi para Buenos Aires. Ao chegar no aeroporto ligou pra ela e falou: "Amor, sabe onde eu estou? Em Buenos Aires!". Foi para a casa noturna argentina. Sentou-se e pediu uma cerveja. E um homem no palco apresentou: "Com vocês, neste palco argentino, a orquestra de tango mais famosa do Brasil". Os músicos entraram, o cantor, a moça do violoncelo, o senhor do bandonion, o flautista. Menos o violinista...
Ele sentiu um frio percorrer toda sua espinha, ligou pra casa dela, o telefone chamou, chamou, chamou e ela não atendeu.
Silêncio...

Escrito por Angel às 17h22
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TRAUMAS DE INFÂNCIA
Estava aqui ouvindo "Se enamora" do Balão Mágico e me lembrei de um fato trágico da minha infância. Eu sempre amei essa música, desde criança, acho a letra uma gracinha, a melodia bem legal. E lembro que estava na 6º série, e eu era apaixonada por um menino da minha classe. Sonhava com ele, não conseguia nem falar oi. Lembro o nome dele até hoje: "Daniel". Escrevia o nome dele no meu diário com coraçõezinhos em volta. E lembro que um dia estava escutando "Se Enamora" e tive um estalo, uma idéia genial!!!!! Copiei um pedaço da letra da música em um papel de carta perfumado, coloquei no envelope e pensei: "amanhã mando pra ele, anônima, ele vai querer saber quem escreveu algo tão lindo e aí vou dizer que fui eu e ele vai me namorar, vamos casar e ter 2 filhos, um menino e uma menina".
No recreio, quando a classe estava vazia, deixei a carta no meio do caderno dele.
Depois cheguei na classe, toda ansiosa e cheia de expectativas. Vi o Daniel rodeado por um monte de meninos, todos rindo. Olhei melhor e vi a carta na mão dele. E todos gargalhando. E ele falou bem alto para a classe toda ouvir: "Olha que menina ridícula, essa que mandou a carta, é tão idiota e sem imaginação que mandou a letra do Balão Mágico!" e todos riram, riram, riram. Até hoje escuto as risadas, ecoam na minha cabeça. Nunca chorei tanto em toda minha vida. Meu coraçãozinho de pré-adolescente se partiu em mil pedaços.
Foi minha primeira decepção amorosa.
* * *
SE ENAMORA - BALÃO MÁGICO (a versão que eu mandei, tirei algumas partes)
"Quando você chega na classe nem sabe quanta diferença que faz e as vezes faço que nem vejo e nem ligo e finjo ser distraída demais. Quantas vezes te desenhei, mas não consigo ver o teu sorriso no fim e sigo caminhando pelo recreio quem sabe você tropeça em mim. Quando toca o despertador de manhãzinha me levanto e vou me arrumar e vejo a felicidade do espelho sorrindo claro que vou te encontrar. Quem vê você chegar com tantas cores, quem vê você passar perto das flores parece que elas querem te roubar. Quem vê você chegar com tantos sonhos, os olhos tão ligados nesses sonhos, tesouros de um amor que vai chegar. E fica tão difícil de ir embora e as vezes escondido a gente chora e chora mesmo sem saber por que e sente que o amor chegou na hora e agora gosto muito de você".
Escrito por Angel às 20h11
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LUZ NO FIM DO TÚNEL
Depois de 2 semanas longas e intermináveis lotadas de culpa, vergonha, tristeza, angústia, medo e solidão, comecei a ver uma luz no fim do túnel. Tão bom essa sensação de melhora, esse ânimo que vem de sabe Deus onde, que do nada surge. Um belo dia você acorda e finalmente sai da escuridão. As coisas começaram a melhorar na quarta-feira véspera de feriado. Não tenho feito grandes coisas, na verdade ando bem quietinha no meu canto. Na quarta a noite fiquei em casa sozinha, o Rick (meu roommate) viajou. E ao invés de me sentir sozinha e triste, resolvi tirar proveito da situação. Botei um top e um legging e lá fui eu pra frente do espelho e botei som na caixa.Dancei, dancei, dancei até não poder mais. Tango, bolero, salsa, música árabe, música brega, rock, forró, dance, pop, techno. Dancei 4 horas sem parar. Depois tomei um banho quente, botei o pijama, tomei um cálice de vinho e desmaiei na cama.
Na quinta acordei meio dia. Tomei um café na padaria e lá fui eu pra minha terapia de cinema. Semana passada fui no Belas Artes assistir o filme francês "Você é tão Bonito" e não acreditei quando cheguei ao cinema. Antes o Belas Artes era um muquifão caindo aos pedaços, agora ele está todo reformado, bonitão a beça. Amei. E lá fui eu novamente pro Belas Artes, dessa vez assisti um filme bem bonitinho, o espanhol "Elza e Fred". Chorei horrores. Fui embora caminhando.
Na sexta trabalhei e a noite fui ao Café Piu Piu com Alexa e Flávio. Fazia tempo que não ia lá pra ouvir uns clássicos do rock n' roll. Não me aguentei, a hora que tocou "London Calling" do Clash, sai pulando feito uma pipoca e fui lá na frente da banda delirar. Amo.
No sábado fiquei meio ressaquenta e dormi o dia todo.
No domingo, acordei tão disposta, levei o jornal pra padaria e tomei um café com tudo que eu tinha direito. Depois botei a Chloé na coleira e levei ela pra caminhar. Tudo bem que passear com um gato não é muito dinâmico, ela cheira um mato e deita, daqui a pouco anda mais um pouco cheira outro mato e deita de novo. Mas acho ótimo que ela faz o maior sucesso. Todo mundo acha incrível um gato na coleira. Depois, acredite se quiser, fiz uma faxina, limpei a casa toda. Varri, passei aspirador, pano, lavei a cozinha, o banheiro. Arrumei o quarto do Rick, arrumei o meu quarto, mudei minha cama de lugar, lavei as cortinas. Depois sentei na frente do micro pra fumar um cigarrinho e vi uma mensagem da minha mãe no orkut. Fiquei super feliz, pois havíamos brigado no dia do meu aniversário. Peguei o telefone e liguei pra ela. Conversamos 1 hora e meia.
E pra finalizar o final de semana com chave de ouro, fui ao tango. O primeiro De Puro Guapos do ano. Fui com Alexa, Flávio, mãe do Flávio e Milton. Foi lindo como sempre. Ah e não sei se falei, mas vou começar minhas aulas de tango em março! Finalmente vou dançar!
É, a vida não é tão ruim assim.
Escrito por Angel às 17h07
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