Vou me mudar para o Nepal.
Pois é. Decidi. Já comprei a passagem. Só de ida. Estou de malas prontas pra me mudar pro Nepal. Na verdade vou morar sozinha, numa cabana no alto de uma montanha, isolada de qualquer tipo de ser humano. Só terei a natureza como companhia. Descobri que não sei conviver em sociedade, sou excêntrica, não consigo ser normal e isso me torna infeliz, pois ao mesmo tempo que não vejo graça nenhuma em ser uma pessoa normal, poucas pessoas conseguem entender a minha anormalidade. E eu sempre ponho tudo a perder como esse meu jeito "espontâneo" de ser. E eu assusto as pessoas, as afasto. E me sinto um mutante, uma aberração, um ser do outro mundo. Alien x Predador. Não consigo me encaixar em nenhum padrão.
Sou uma monstra. Freak.
* * *
Nota do jornal:
"Cientistas descobrem carcaça de raro espécime de humanóide numa região remota do Nepal. O biólogo Steve Harold Tutsie declara: "o espécime encontrado é do sexo feminino, devia ter aproximadamente 24 anos, o corpo está bem conservado, encontramos vestígios de alcool, nicotina, ácido retinóico e dmae. Ainda não definimos a causa da morte. Consideramos uma grande descoberta para o mundo científico".

Escrito por Angel às 20h15
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Percebi que meu amigo Rick estava tão triste e angustiado. Perguntei pra ele qual era o problema dele e ele respondeu com os olhos cheios de lágrimas:"Solidão". Me deu um aperto no coração. Aí escrevi um email pra ele.
/* EMAIL PARA O RICK */
Fio, não se preocupe. O começo sempre é difícil, ainda mais nessa cidade tão grande e tão solitária. Mas solidão vamos sentir sempre, mesmo quando estamos na companhia de outras pessoas, mesmo quando estamos namorando, casados, com filhos, sempre vamos no sentir sozinhos. O que dá pra fazer é "amenizar" esse sentimento de solidão, ocupando a mente. Ocupando a mente com coisas legais, com uma paquera (mesmo que não dê certo, hehehe), com a música, com bons filmes, com bons amigos, com esportes, com uma comida gostosa, arte, línguas. O que faz a gente ir pra frente são as paixões, não necessariamente aquela paixão romântica de filme (lógico que sempre é bom ter alguém para amar), e sim arrumar "paixões", coisas que nos deixam felizes, as minhas paixões são a dança, a música. Quando estou triste, eu danço. Superei muitas tristezas na minha vida com a dança. Passei horas a fio sozinha naquele apartamento chorando e dançando na frente do espelho. Triste? Porém eficaz, hehehehe. Hoje tô aqui firme, forte e posso até dizer que feliz de certa forma, e sem muitas cicatrizes. Tem aquelas horas que você sente um vazio absoluto e acha que vai explodir, e a vontade que dá é se atirar na frente do primeiro ônibus que passar, e esse vazio, por mais triste que seja, vai nos perseguir a vida toda, vazio existencial. E são nessas horas que você tem que recorrer às suas paixões, um amigo fiel, uma mãe querida, cursos, esportes, até mesmo trabalho. Isso de certa forma ameniza esse vazio, lógico que ele nunca irá embora. Ainda mais em pessoas que pensam demais. Já reparou como as pessoas mais burrinhas sofrem menos? Só de ter um emprego, ter uma família, já as torna extremamente satisfeitas com a vida, sorte a delas. Quantas vezes fiquei sem dormir pensando qual o sentido disso tudo, tenho isso até hoje, mas descobri uma forma de me anestesiar (hipocrisia? talvez...mas que ajuda, ajuda), e nem precisa ser com bebida, drogas (lógico que um porre sempre ajuda, o problema que no outro dia a tristeza triplica). O jeito é se ocupar, se paixonar, ver felicidade em pequenas coisas, no primeiro gole de café logo de manhã, na Cloé brincando com a Athena, naquele perfume que te faz lembrar de alguém, no livro que te emociona, no bilhetinho da Dete na geladeira, etc...São essas pequenas coisas que fazem a vida valer a pena. Pense nisso. Espero que melhore.
Beijo.

Escrito por Angel às 21h35
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